Verônika com K tem protagonista poderosa, mas exageros comprometem a nova série do Globoplay - (crédito: Obeservatório da TV)
A nova série original do Globoplay, Verônika com K, que estreou nesta quinta-feira (22), chega com uma proposta interessante: explorar os bastidores da advocacia criminal brasileira sob a perspectiva de uma mulher negra, bem-sucedida e marcada por um passado traumático. A produção tem personalidade, um elenco de peso e uma protagonista convincente, mas nem sempre consegue equilibrar suas ambições narrativas.
Criada por José Junior e dirigida por Silvio Guindane e Rachel Camara, a série acompanha Verônika, interpretada por Roberta Rodrigues, uma advogada que se vê envolvida em uma rede de corrupção, tráfico de drogas e disputas de poder. Ambientada no mesmo universo de Arcanjo Renegado, a história tenta ampliar esse cenário ao deslocar parte do protagonismo das operações policiais para os tribunais.
O maior acerto está na escolha de Roberta Rodrigues. A atriz demonstra força e presença dramática, sustentando uma personagem que transita entre a independência profissional, os conflitos familiares e os dilemas éticos. É também uma conquista importante de representatividade, especialmente pela valorização de três gerações de mulheres negras.
Entretanto, o roteiro apresenta fragilidades. A tentativa de combinar suspense policial, drama jurídico, romance e erotismo resulta em momentos excessivos, especialmente no início da narrativa. Algumas situações parecem construídas mais para provocar impacto imediato do que para aprofundar os personagens. A previsibilidade de determinados conflitos também reduz a força das reviravoltas.
O elenco, que inclui Marcelo Serrado, Belo, Mariana Ximenes e Letícia Spiller, acrescenta visibilidade à produção. Ainda assim, reunir nomes conhecidos não é suficiente para compensar os desequilíbrios de uma narrativa que, em alguns momentos, privilegia o espetáculo em detrimento da consistência dramática.
A série também merece reconhecimento por abordar questões como desigualdade social, corrupção institucional e os limites entre justiça e criminalidade. O problema está na maneira como esses temas são desenvolvidos. Ao recorrer frequentemente a situações extremas, a produção corre o risco de transformar discussões complexas em entretenimento policial convencional.
Verônika com K tem potencial, sobretudo pela atuação de Roberta Rodrigues e pela perspectiva feminina dentro de um universo tradicionalmente dominado por personagens masculinos. Mas deixa a impressão de que poderia alcançar resultados mais expressivos com menos exageros e maior refinamento do roteiro.
No balanço, é uma produção que merece atenção, mas não está livre de críticas. Tem uma protagonista forte e uma proposta relevante, porém ainda precisa demonstrar que sua qualidade dramática está à altura de suas ambições.
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