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    postado em 02/11/2026 16:02

    A novela Lá na Minha Terra, nova produção da Globo para a faixa das seis, apresenta elementos que remetem diretamente a dois trabalhos anteriores de seu autor, Mario Teixeira: Mar do Sertão (2022) e No Rancho Fundo (2024). As três produções compartilham uma identidade narrativa marcada pelo regionalismo, pelo humor popular, pelos conflitos familiares e pela valorização da cultura do interior brasileiro.

    Mais do que simples coincidências, essas semelhanças revelam uma preferência do autor por histórias ambientadas longe dos grandes centros urbanos, nas quais tradições, disputas de poder, romances e diferenças sociais movimentam a trama.

    Em Mar do Sertão, a fictícia Canta Pedra servia de cenário para a história de Candoca (Isadora Cruz), Zé Paulino (Sergio Guizé) e Tertulinho (Renato Góes). O triângulo amoroso se desenvolvia em meio a rivalidades familiares, disputas por terras e conflitos envolvendo personagens poderosos da região.

    Já No Rancho Fundo, o autor voltou ao interior nordestino, desta vez acompanhando a trajetória de Quinota (Larissa Bocchino) e da família Leonel, liderada por Zefa Leonel (Andrea Beltrão). A descoberta de uma jazida de turmalina paraíba transformava a vida dos protagonistas e desencadeava uma série de disputas por dinheiro, poder e prestígio social.

    Em ambas as novelas, o ambiente rural não funcionava apenas como pano de fundo. A cultura regional, a paisagem, a linguagem e os costumes tinham participação importante na construção da identidade das histórias.

    O universo rural como marca do autor

    Uma das principais aproximações entre Lá na Minha Terra e suas antecessoras está justamente na escolha do interior como espaço dramático.

    Mario Teixeira costuma explorar comunidades nas quais as relações pessoais são próximas e os acontecimentos envolvendo uma família repercutem sobre toda a população. Nesse universo, segredos, rivalidades antigas e diferenças econômicas ganham proporções maiores.

    Outro ponto recorrente é a combinação entre drama e comédia. Tanto Mar do Sertão quanto No Rancho Fundo equilibraram momentos de sofrimento, romances e conflitos com personagens excêntricos e situações bem-humoradas.

    Essa mistura ajuda a construir uma dramaturgia popular, com histórias acessíveis e personagens de personalidades marcantes.

    Famílias, poder e diferenças sociais

    As relações familiares também constituem um elemento central na dramaturgia de Mario Teixeira.

    Em Mar do Sertão, o poder econômico e político de determinadas famílias influenciava diretamente o destino dos protagonistas. Em No Rancho Fundo, a ascensão financeira dos Leonel provocava mudanças nas relações entre os personagens e despertava interesses de pessoas dispostas a tirar vantagem da nova situação.

    As duas novelas também exploraram o contraste entre personagens de origem humilde e integrantes de grupos socialmente privilegiados. Essa oposição alimentava romances, rivalidades e conflitos morais, além de permitir discussões sobre ambição, pertencimento e mobilidade social.

    Rosenda e Zefa Leonel: a força das mulheres do sertão

    Uma das semelhanças mais evidentes está na construção de protagonistas femininas determinadas.

    Em Lá na Minha Terra, Rosenda (Dira Paes) criou cinco filhos sozinha depois do desaparecimento do marido, Severino (Daniel de Oliveira), há mais de 15 anos. A personagem enfrenta dificuldades para sustentar a família e mantém uma relação profunda com a terra onde nasceu.

    A trajetória lembra, em alguns aspectos, a de Zefa Leonel, matriarca interpretada por Andrea Beltrão em No Rancho Fundo. As duas representam mulheres fortes, ligadas ao universo rural e dispostas a enfrentar adversidades para proteger seus familiares.

    Rosenda também protagonizará um conflito amoroso que remete à estrutura de Mar do Sertão. Enquanto espera pelo marido desaparecido, ela desperta o interesse de Almerindo Mourão (Mateus Solano), poderoso fazendeiro da região. A situação estabelece um triângulo afetivo marcado pelo passado, pela espera e pela possibilidade de um novo amor.

    A diferença está no encontro entre o sertão e São Paulo

    Apesar das semelhanças, Lá na Minha Terra pretende ampliar o universo apresentado nas produções anteriores.

    A principal novidade é a divisão da narrativa entre a cidade fictícia de Lavra Seca, no Nordeste, e São Paulo.

    Na história, Rosenda descobre que Severino não morreu nem desapareceu misteriosamente. Ele construiu outra vida na capital paulista, assumiu a identidade de Cesário Ávila, tornou-se um empresário rico e formou uma nova família com Ismália (Camila Morgado).

    Esse segredo movimentará uma trama sobre abandono, ascensão social, identidade e pertencimento, estabelecendo um contraste entre a vida simples do interior e o universo empresarial da metrópole. 

    A ambientação também apresenta novidades. Depois de explorar paisagens de Alagoas em Mar do Sertão e de Minas Gerais em No Rancho Fundo, a equipe escolheu a Chapada Diamantina, na Bahia, para registrar as paisagens naturais da nova novela.

    Segundo o diretor artístico Allan Fiterman, a proposta é apresentar um sertão com vegetação abundante, serras e cachoeiras, afastando-se da representação tradicional de uma região exclusivamente seca e árida. 

    Uma fórmula de sucesso ou repetição?

    A proximidade entre as três produções não é acidental. Mario Teixeira e Allan Fiterman voltam a trabalhar juntos justamente para desenvolver uma nova história dentro do universo poético e popular que marcou suas parcerias anteriores.

    O desafio será preservar os elementos que conquistaram o público sem transmitir a sensação de que a Globo está apresentando diferentes versões de uma mesma novela.

    A valorização do regionalismo, o protagonismo feminino, os romances atravessados por conflitos familiares e a presença de personagens populares constituem uma identidade autoral reconhecível. Entretanto, o excesso de fórmulas semelhantes pode comprometer a originalidade das histórias.

    Com estreia prevista para 9 de novembro de 2026, Lá na Minha Terra terá a oportunidade de demonstrar se Mario Teixeira consegue renovar sua dramaturgia ao transportar parte da narrativa para São Paulo e aprofundar questões como migração, abandono e reconstrução familiar.

    A julgar pela sinopse, o público encontrará um universo bastante familiar. Resta saber se a nova novela conseguirá transformar essas semelhanças em uma vantagem ou se acabará reforçando a impressão de repetição das produções anteriores.

    O texto Lá na Minha Terra repete fórmula de Mar do Sertão e No Rancho Fundo? Veja as semelhanças entre as novelas foi publicado primeiro no Observatório da TV.

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